POSSIBILIDADE DE INSERÇÃO DE PETROLINA NO PROGRAMA INTERNACIONAL CIDADES EDUCADORAS

Tivemos a oportunidade de participar, no dia 12 de julho deste ano, de Workshop na cidade de Évora (localizada na região do Alentejo, Portugal), enfocando o tema Construir a cidade. Habitar o espaço público, no âmbito do programa internacional Cidades Educadoras. Integrava, na oportunidade, a comitiva do Prefeito de Petrolina, Dr. Júlio Lóssio, que fora convidado pelo Departamento de Filosofia da Universidade de Évora/CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades para proferir palestra sobre o Projeto Nova Semente, experiência bem sucedida atualmente sendo conduzida na cidade de Petrolina.

O programa internacional Cidades Educadoras foi proposto e aprovado na cidade de Barcelona, Espanha, em 1990, cidade que abrigou nesse mesmo ano o I Congresso Internacional de Cidades Educadoras. Decorridos 22 anos da realização desse Congresso, aconteceu em abril, na cidade de Shangwon, na Coréia do Sul, o XII Congresso de Cidades Educadoras, o que evidencia o amplo interesse que as cidades espalhadas pelo mundo inteiro, tem demonstrado no sentido da adesão ao programa. Mas o que vem a ser uma Cidade Educadora? Nos termos da Declaração de Barcelona, de 1994, “A cidade educadora é uma cidade com personalidade própria, integrada no país onde se situa (…). É também uma cidade que não está fechada sobre si mesma, mas que mantém relações com o que a rodeia – outros núcleos urbanos do seu território e cidades com características semelhantes de outros países -, com o objetivo de aprender trocar experiências e, portanto, enriquecer a vida dos seus habitantes”. É, portanto, esse aspecto do programa – o intercâmbio de experiências visando à melhoria das condições de vida das pessoas – o seu ponto alto, aquele que mais contribui para a importância e o reconhecimento mundial do programa.

A inteira compreensão do conceito moderno de cidade, como o concebido pelo Conselho Europeu de Urbanistas, na Nova Carta de Atenas (2003), importa para um entendimento mais amplo do que seja uma “Cidade Educadora”. Segundo esse Conselho, a cidade é um “estabelecimento humano com um certo grau de coerência e coesão. Não se considera somente a cidade convencional e compacta, mas também as cidades região e as redes de região”. Como se depreende disso, a cidade educadora se integra a tantas outras, formando redes em que os problemas e experiências comuns são debatidos, num grande esforço sinérgico de cooperação, complementaridade, flexibilidade e de reforço de vantagens competitivas, próprias de cada uma delas. A finalidade última é a garantia de dignidade humana para todos, sobretudo para os mais carentes. Dessa forma, fico feliz por saber que 14 cidades brasileiras já fizeram sua adesão ao programa, integrando uma rede mundial que já conta com quase 400 cidades educadoras. Petrolina conta, seguramente, com todos os requisitos exigidos para tornar-se, ela também, integrante dessa rede. E esta possibilidade está aberta, dependendo tão somente da vontade e visão ampla dos seus cidadãos.

É no sentido dessa necessidade de intercâmbio de experiências entre cidades que a vinda do Prefeito Júlio Lóssio a Évora ganha importância e significado. Ao trazer aos nossos irmãos portugueses de Évora, a convite, a experiência de Petrolina com o Projeto Nova Semente (uma nova e revolucionária forma de disponibilizar creches para as crianças oriundas de famílias carentes) – no que foi bem sucedido -, abre novas perspectivas de intercâmbio, seja no campo acadêmico, cultural e social ou no de novas tecnologias ou ainda de múltiplas formas de cooperação e complementaridade, sempre em benefício da comunidade de Petrolina e das que se abrem e aderem ao programa internacional de Cidades Educadoras. Com isso, colabora a vinda do Prefeito para superar barreiras, via de regra geradas pela estreiteza de visão, preconceitos, mediocridade e a pequenez de sentimentos que tantas vezes dominam os seres humanos, contrapondo-se ao esforço de construir-se uma Humanidade próspera, justa e mais digna, onde quer que habitem as pessoas.

Valdenor Ramos (aluno de Doutorado em Gestão pela Universidade de Évora)

Évora, Julho de 2012.

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