Plano prevê diversificação de fontes de energia em Petrolina e Noronha

Lixo em Fernando de Noronha (Foto: Divulgação/Auricélio Romão )O município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e o arquipélago de Fernando de Noronha, receberão projetos que buscam diversificar suas matrizes energéticas, investindo em energia sustentável. A iniciativa foi divulgada pelo Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec), em entrevista coletiva na sexta-feira (22). As obras devem incluir centros de pesquisa, e espera-se que estejam finalizadas e operando até o início de 2014.

Para o arquipélago de Fernando de Noronha, o objetivo da Secretaria é reduzir o uso da energia gerada pela Usina Termoelétrica Tubarão, que utiliza óleo diesel poluidor como combustível. Isso deve acontecer quando a ilha começar a utilizar energia limpa, produzida através de duas usinas solares, 13 turbinas eólicas, uma usina marítima e uma de tratamento de lixo.

O professor Fernando Machado acredita que o caso do arquipélago é bastante grave: “Não temos como levar linhas de emissão para lá, o que faz com se seja preciso gerar energia na ilha. Ao colocar as energias sustentáveis, vamos substituir o risco ambiental do diesel, e do transporte que o envolve. Aos poucos, vamos produzir mais energia do que a quantidade consumida pelos moradores da ilha”.

Para aprender como transformar os resíduos não recicláveis em energia, o grupo de pesquisadores vai viajar para os Estados Unidos: “Estamos indo agora para Massachusetts, nos EUA, para verificar a conversão de resíduos sólidos em gás, e a utilização desse gás em energia. Com isso, vamos reduzir os custos de trazer o lixo para a costa, e não precisaremos fazer aterros”.

O governo do estado deve investir R$ 8 milhões para adquirir os equipamentos desta usina, que deverá estar em atividade até o final do ano. A compra destes materiais está sendo negociada com uma empresa norte-americana.

Fernando de Noronha vai receber duas plantas de usinas fotovoltaicas, com capacidade para gerar cerca de um megawatt de energia, o equivalente a 40% do que é consumido atualmente no arquipélago. A primeira usina será instalada nas dependências do Departamento de Proteção ao Vôo (DPV) da Aeronáutica, com um investimento de cerca de R$ 10 milhões. Ela deverá gerar 400 kilowatts.

A segunda, com capacidade para gerar 600 kilowatts, será instalada nas placas de captação de água que ficam no bairro do Boldró, próximo à usina termoelétrica. Os dois projetos recebem recursos da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe).

O arquipélago também vai receber 13 pequenos geradores eólicos, com capacidade para gerar cerca de meio megawatt de energia. O governo do estado deverá investir R$ 1 milhão nesse projeto, além de abrir um edital para a aquisição dos equipamentos, que devem ser instalados no primeiro semestre de 2013.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também está com um edital aberto para geração de um megawatt de energia em Fernando de Noronha, que possibilitará a instalação de mais dois ou três grandes geradores eólicos na ilha.

Outra opção de uso de energia que entrará em vigor em Noronha é a que surge através do movimento das ondas do mar. Para isso, a Sectec deverá contar com o apoio do Ministério de Minas e Energia e da Chesf, num investimento de cerca de R$ 25 milhões. Para captar a energia, plantas de aço serão instaladas a 20 metros de profundidade, dentro de um ano, e irão se mover acompanhando o balançar das ondas, produzindo assim a energia.

Fernando Machado ressalta, porém, que a Usina Termoelétrica Tubarão continuará instalada no arquipélago de Noronha: “Ela nunca será aposentada, porque vai servir como fonte durante uma emergência. Assim, será minimamente utilizada, pois é preciso garantir a energia para o funcionamento da ilha”.

O calor do Sertão

Petrolina receberá uma plataforma de pesquisa e desenvolvimento em energia solar, formada por duas usinas solares e um centro de pesquisa. A primeira usina já começa a ser construída em agosto de 2012, e consiste em uma planta piloto de uma heliotérmica, geradora de energia limpa através da transformação dos raios do sol.

A obra terá um custo de R$ 27,5 milhões, e será realizada graças a um convênio entre a Sectec, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O projeto será executado pelo Cepel, entidade coordenada pela Eletrobrás, em parceria com a UFPE. Estima-se que a heliotérmica terá capacidade para gerar um megawatt de energia.

O objetivo inicial é de que a usina seja utilizada para o estudo e desenvolvimento de novas tecnologias e capacitação de mão de obra qualificada, trabalhando na diversificação da matriz energética de Pernambuco. Além disso, outra meta é reduzir os impactos ambientais gerados pelas fontes de energia utilizadas atualmente.

A construção da heliotérmica, que ficará localizada em um terreno cedido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), vai estar acoplada a laboratórios de formação de estudantes e trabalhadores. O Centro de Pesquisa será responsável pelo estudo das tecnologias empregadas e de novas tecnologias, além da certificação de equipamentos, e da formação de mão de obra qualificada.

O gerente geral de Política de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sectec, professor Fernando Machado, ressaltou a importância do processo inicial: “Vamos produzir uma quantidade significativa de energia, mas o principal objetivo, nesse momento, não é a produção em escala. Primeiro precisamos estudar e dominar essas tecnologias, e só depois pensar nisso”.

Ele falou, ainda sobre a importância de novos usos de energia: “Há uma necessidade muito grande de diversificar a matriz energética, e esse é um objetivo de todo o governo e das entidades de meio ambiente. Então é preciso, além de pensar energias renováveis, fazer pesquisas para dominar essas tecnologias, que poderiam ser mais utilizadas por nós. Ao mesmo tempo, não sabemos ainda qual a melhor solução para determinado local. Petrolina, por exemplo, foi escolhida por um projeto nacional, financiado pela Finep, porque lá existe uma captação de sol muito grande”.

A plataforma de Petrolina vai receber ainda uma usina fotovoltaica. Esse empreendimento será instalado no mesmo local, através de uma parceria entre a Sectec, a UFPE e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Nesta usina, que deverá gerar três megawatts de energia, serão investidos R$ 45 milhões.

O princípio de funcionamento da heliotérmica é similar ao de uma termelétrica. No entanto, aqui o calor que alimenta as turbinas é gerado pela luz do sol. A conversão acontece com vapor de água em caldeiras, que movimentam um gerador. A água é aquecida graças a concentradores solares. Na fotovoltaica, placas instaladas no local irão captar a energia solar, e transformá-la em eletricidade.

 

Fonte: G1 PE

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