Humberto nega ser ‘biônico’ e quer apoio de João da Costa no Recife

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (06), em São Paulo, o senador Humberto Costa negou que a escolha de seu nome pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para concorrer à Prefeitura do Recife tenha sido biônica. Usando tom conciliador, ele ressaltou pontos do próprio currículo e disse ter uma história política incompatível com uma atitude antidemocrática. Falou também que quer o apoio do prefeito do Recife João da Costa e vai apenas esperar a poeira baixar para conversar com ele. O senador acrescentou que tem o apoio de Lula nessa pré-candidatura e manterá a atuação parlamentar enquanto a campanha não começa.

 Humberto pretende vir ao Recife nesta quinta-feira (07). “Em nenhum momento das disputas que aconteceram vocês me viram fazer críticas pessoais ou no campo administrativo. Nosso questionamento sempre foi o tema da gestão política”, disse o senador sobre João da Costa.

 Participaram do encontro Rui Falcão, presidente nacional da legenda, e Pedro Eugênio, presidente do PT em Pernambuco. Questionado sobre a forma como foi tomada a decisão do partido de intervir no diretório nacional, Pedro foi incisivo: “Não foi autoritário, foi uma decisão legítima do partido. No entendimento da direção, as duas candidaturas perderam a condição de disputar. A executiva nacional tem a última palavra e pode até cancelar um resultado de prévia. Isso está em documentos e em uma decisão recente da executiva, referendada pelo diretório local. Se ela pode alterar quando tem resultado, imagine quando não tem”, disse Eugênio. Sobre uma possível sanção do partido a João da Costa, Pedro Eugênio, presidente estadual do PT, assegurou: “Ele exerceu o tempo todo o direito de pleitear uma candidatura”.

 Rui Falcão disse que a executiva avaliou que o Maurício e o prefeito João da Costa tinham esgotado as possibilidades políticas de representar unidade partidária. Para ele, a prévia do dia 20 de maio foi realizada com algumas irregularidades. “Ela se realizou em desacordo com a orientação do diretório nacional. Além disso, formalizamos o cancelamento da prévia no dia 3 de junho porque constatamos que não havia nenhuma condição dela produzir algum tipo de unidade partidária. A executiva também fez uma avaliação política e tomou essa decisão de indicar o companheiro Humberto Costa como o pré-candidato que reúne as melhores condições políticas e eleitorais de construir unidade partidária e aglutinar o conjunto de alianças dos partidos que compõem a frente popular”, argumentou.

 A decisão pelo nome de Humberto Costa como candidato do PT à Prefeitura do Recife foi informada, na última terça-feira (05), em São Paulo, pelo prefeito João da Costa. Ele estava na cidade para acompanhar a reunião da executiva nacional que decidiria o nome do candidato, mas deixou o encontro antes do fim. Ele contou à imprensa que foi avisado da decisão pelo presidente da legenda, Rui Falcão, e que não viu sentido em continuar no local.

 Costa disse se sentir triste e indignado, principalmente porque vinha sendo bem avaliado nas pesquisas de intenção de voto. Ele afirmou que não sabe ainda se vai recorrer da decisão nem se vai apoiar a campanha de Humberto Costa – antes de tomar qualquer decisão vai se reunir com os correliogionários no Recife. De acordo com a assessoria de imprensa de João da Costa, ele continua em São Paulo e só deve chegar à capital pernambucana nesta quinta.

 Entenda o caso

A primeira prévia do PT no Recife ocorreu no dia 20 de maio e foi cancelada após muita polêmica. Isso porque a lista original de aptos a votar incluía aproximadamente 20 mil pessoas – os filiados que quitaram suas contribuições individualmente até o dia 5 de maio – mas o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Jovaldo Nunes, habilitou a votar uma segunda lista, que teria, aproximadamente, 13 mil pessoas, causando desentendimento entre as duas partes. O PT do Recife tem aproximadamente 33 mil filiados.

 As duas candidaturas recorreram à Justiça e várias liminares foram expedidas em relação à prévia. Uma determinação judicial impediu a divulgação oficial do resultado. Extraoficialmente, a contagem de votos favoreceu o atual prefeito, que teve cerca de 600 votos a mais que o adversário.

Fonte: G1 PE

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